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Entrevista: Strike


Vaga-lume - 28 de Abril 2008

Com a década chegando ao fim, fica claro que daqui uns anos quando se lembrarem do rock feito no Brasil no início do século (ao menos o mais popular), provavelmente o som que mais virá á cabeça das pessoas vai ser o hardcore. Após anos no underground o gênero acabou explodindo em suas mais diversas facetas para desespero dos fãs mais antigos ou radicais. O Strike é mais um grupo a compor essa paisagem. Como bons mineiros eles chegaram devagarzinho, fazendo alguns shows e divulgando suas músicas pela net.

Strike letras
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Aos poucos já estavam com uma boa base de fãs e atraindo a atenção das gravadoras. Daí pra frente tudo aconteceu rapidamente: disco bem gravado e produzido, música na Globo e vários shows.

O Vaga-lume foi atrás do vocalista Marcelo Mancini pra saber um pouco mais da trajetória da banda até aqui e sobre o que mais vem por aí.

 Entrevista

O Strike de Juíz de Fora. Como é a cena rock por lá? Afinal as bandas mineiras mais famosas são todas de BH. Existe um cenário legal no interior do estado?


A cena musical de Juiz de Fora é rica em talentos, tem ótimos músicos e é bastante eclética, porém faltam mais espaços para as novas bandas, já que algumas casas noturnas trabalham com música ao vivo, mas não investem muito em bandas de rock. O legal é que o público local é sempre receptivo e caloroso, independente do seguimento. O cenário rock do interior do estado existe e está crescendo cada vez mais. Ultimamente temos tocado bastante em MG e os shows estão sendo surpreendentes em termos de crítica e público. Sentimos um crescimento considerável da cena e uma grande aceitação com as bandas da nova geração.



Vocês chegaram a conhecer ou tocar com alguma banda mineira mais famosa como o Skank ou o Pato Fu? Artistas como esses influenciaram vocês de alguma forma (indo além do lance puramente musical)?


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Conhecemos a Fernanda do Pato Fu, num programa de tv em Porto Alegre e tocamos com o Skank em 2 grandes festivais que foram muito legais. Achamos o Skank uma grande referência, pois eles construíram uma carreira sólida, amadureceram junto com seu público e marcaram o nome na história da música brasileira. Eles nos influenciam nesse sentido artístico.



Queria saber da trajetória de vocês. Todos tiveram outras bandas antes? Se sim, o que o Strike teve de diferente das outras para ter vingado?


Todos nós tivemos outras bandas, elas serviram de bagagem e experiência pro nosso atual momento. O Cadu (bateria) tocava com o André (guitarra) numa banda de HC. O Fábio (baixo) tocava com o Rodrigo (guitarra) em uma outra banda. Eu já havia passado por 3 projetos bem ecléticos: o primeiro de rap, o segundo de reggae e o último de punk rock que até me serviu de base para iniciar o repertório do Strike. A maior diferença que vejo do Strike para as nossas bandas anteriores, é a sintonia de idéias e o gosto musical que nós temos em comum. Acho que isso impulsionou bastante o nosso projeto, criou uma energia que conspira muito a favor, além da nossa união que fez muita diferença também. Construímos e vivenciamos coisas inimagináveis, passamos por momentos ótimos e difíceis e atravessamos várias fases sempre juntos e unidos.



Quando vocês deixaram Minas? A banda já estava mais ou menos conhecida dentro do circuito underground ou resolveram vir na raça mesmo?


Nós mudamos em meados de 2006, estávamos novatos na cena mas existia uma grande expectativa devido a aceitação da nossa demo virtual. Nós mudamos na raça e sem contrato firmado com nenhuma gravadora, porém tínhamos várias propostas que estavam sendo estudadas. A Deckdisc teve um papel importante na nossa escolha, pois ela nos deu liberdade total, apostou no Strike como uma banda de carreira longa e não se importou se tínhamos ou não uma base pronta na cena naquele momento.

A gravadora acreditou que construiríamos essa base juntos. Consequentemente isso se formatou de forma rápida, em paralelo aos shows na cena underground, pois os convites foram aumentando também. Nós fomos finalizando o repertório do primeiro cd dentro do estúdio e crescendo na cena de maneira até rápida.



A internet foi de grande ajuda para divulgar a banda né? Como foi que o Strike caiu na graça dos internautas? Vocês fizeram um trabalho em cima disso?


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A internet foi nossa maior e única ferramenta no início. Somos uma banda do interior, que ficava totalmente paralela aos acontecimentos da cena. O nosso crescimento na rede foi espontâneo e gradativo. O trabalho foi disponibilizar as músicas nos sites especializados, realizar promoções na comunidade do orkut e corresponder aos contatos de novos fãs, através do fotolog e dos outros veículos da rede. Isso agregou muito coisa, mas acho que o que mais ajudou mesmo foi o feedback que rolava por parte da galera nos nossos shows, pois eram poucas oportunidades que tínhamos de tocar e nós entrávamos com sede de dar certo. Tocávamos como se fosse o último show de nossas vidas, isso com certeza fez muita diferença na nossa carreira.



Vocês preferiram assinar com uma gravadora a ficar na independência. Esse era o objetivo de vocês quando foram pro Rio? O que a deckdisc ofereceu para vocês que não seria possível conseguir por conta própria?


Assim que finalizamos a demo, sentimos que as músicas tinham uma grande força e que consequentemente assinaríamos na hora certa. Recebemos vários convites de gravadoras, mas queríamos a Deckdisc pelo trabalho legal que ela fez com a Pitty. Assim que eles formalizaram o convite, nós achamos uma grande oportunidade, pois queríamos viver da música e curtimos muito o astral do Rio de Janeiro. Nós não quisemos lançar o cd no primeiro momento que recebemos a proposta, pois achávamos que o Strike era bem recente na cena e ainda faltava finalizar o repertório com calma. Eles compraram a idéia de esperar um pouco e acabou rolando bem legal. A gravadora teve um papel importantíssimo na construção da nossa carreira até aqui, colocou nossas músicas nas rádios de todo Brasil, proporcionou uma ótima gravação, masterizou nosso som na gringa com o conceituado Brian "Big Bass" Gardner, que trabalho com bandas como Blink 182, Sublime, Fall Out Boy e etc... viabilizou nosso primeiro clipe, levou nossas músicas para empresas de telefônia disponibilizando toques polifônicos, agregou uma equipe que auxilia na direção da banda, porém paralelo a gravadora, temos um escritório super experiente, que trabalha junto com a gravadora, tomamos a frente em várias ações em prol da banda e sem nosso escritório, muitas coisas não teriam acontecido.



O quanto ter uma música na abertura de Malhação está ajudando o Strike? Já pintam fãs mais novos nos shows por causa disso?


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Ajudou bastante, levou nosso som a um grande público, foi a porta de entrada no circuito dos grandes festivais do mainstream e acabou viabilizando shows no Brasil todo. Muitas pessoas acabaram conhecendo a banda através desse veículo grande, foram atrás do cd e se identificaram com o resto do repertório, isso movimentou bastante os shows, nosso público cresceu muito e o mais curioso foi que com esse crescimento, nós não perdemos os antigos fãs, pois não precisamos mudar nada no nosso som e continuamos fiel à nossa proposta.



É curioso notar que agora as bandas de hardcore (pelo menos as com uma sonoridade mais pop) estão fazendo sucesso ou podendo sonhar em ganhar a vida com a música. Nos anos 80 e 90 isso era inimaginável. Tanto que as bandas de HC até se orgulhavam de não fazer som para as massas. Vocês (ou ao menos o Marcelo que é o mais velho) devem ter vivido esses dois momentos. O que mudou nesse tempo? A mentalidade dos músicos, do público ou tem alguma outra coisa aí?


Eu acho que bandas como: Raimundos, Planet Hemp, O Rappa, Charlie Brown Jr e outras, tiveram um papel importante nessa trajetória. Elas saíram do underground e foram com força para o mainstream, com vendagens expressivas e com ótima aceitação, isso acabou abrindo a cabeça das gravadoras e consequentemente do público também, que passaram a enxergar que existia uma grande força vinda do underground. Se analisarmos bem, fica evidente que isso acabou abrindo portas para as bandas da nova geração.

Agora falando especificamente da cena HC, hoje em dia apareceram várias bandas novas, algumas ganharam espaço no mainstream e houve até uma certa renovação no rock, o que é natural. As que ganharam essa abertura, possuem uma sonoridade mais pop, se comparadas às mais antigas e isso também ajudou a dar mais mobilidade pra elas. Porém é fato que por outro lado, nasceram nessa leva, várias bandas parecidas, o discurso e a temática das letras ficou um pouco igual, falando de fim de relacionamento e amor, trazendo uma cara até meio que "depressiva" para o cenário atual. Isso foi uma opção das próprias bandas, que assinaram com majors e acabaram optando por mudar seu som... mas enfim, no nosso caso não julgamos ninguém e cada um é cada um, continuamos fiéis a nossa proposta, fazemos o som que curtimos e não mudamos nada nele por conta de mídia e gravadora. Continuamos influenciados pelas mesmas bandas de "punk rock melódico" que ouvimos desde sempre, isso talvez seja nossa grande peculiaridade positiva.



Por outro lado toda banda que faz uma música um pouco pesada com letras introspectivas já é taxada de emo. No caso de vocês isso é aceito na boa ou irrita?


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No nosso caso nós nunca fomos taxados de emo, uma vez que nosso som é totalmente alegre e pra cima. Nossa primeira música de trabalho, tem uma levada rapeada e dançante, só isso já nos tirou desse rótulo. Agora no meu caso não irritaria, principalmente porque eu não perderia tempo de explicar que eu não sou, uma coisa que eu nem sei ao certo o que é, de tão distorcido que já ficou, que não se sabe mais se é estilo musical ou comportamento.



Vamos falar do disco que está saindo agora. A gente nota que mesmo sendo um álbum de punk existem sempre alguma coisa de diferente nas canções, como alguns tecladinhos meio indie rock ou vocais raggamuffin. Qual era a idéia? Criar um diferencial mesmo ou também dar um jeito de colocar dentro do som da banda as influências individuais de vocês?


Acho que as duas coisas, sentimos que poderíamos dar uma diferenciada e não tivemos medo de arriscar. Isso trouxe grande aceitação. Todas resenhas foram positivas. Nós ganhamos um certo conceito e esse diferencial nos deu autoconfiança.



Falando nisso quais são as bandas que mais influenciaram o Strike. E pessoalmente o que cada um curte ouvir?


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Temos influências bem diversas e ecléticas, com uma ênfase maior no Punk Rock Californiano e o Hardcore melódico. Como referência principais podemos citar o Bink 182, New Found Glory e o Millencolin. Mas o estilo da banda abrange vários outros segmentos como Hip Hop, Ragga Muffin (espécie de rap jamaicano), Drum'n'Bass e alguns elementos do Reggae. Já o gosto individual é bem comum e ao mesmo tempo bem diferente. Eu curto Beastie Boys e Damien Marley. O Cadu ouve bastante Transplants e Rancid. O Rodrigo gosta de Incubus e eletrônicos. O Fábio tem ouvido sons mais antigos como Beatles e The Clash. Já o André se identifica com bandas que tem uma pegada mais Metal.



Para encerrar quais são os planos para 2008? Já pensam em gravar alguma novidade ou talvez lançar um DVD?


Os planos para 2008 são consolidar cada vez mais o nosso cd. Visitar as cidades aonde ainda não tocamos e que pedem nosso show e melhorar a infra-estrutura cada vez mais para oferecer um melhor show. Estamos coletando imagens de shows, cenas do backstage , entrevistas e etc ,para lançar um DVD no final do ano de 2008 e compor o segundo cd que será lançado em 2009, esses são nossos planos atuais.

Abração pra toda galera do Vaga-lume e estamos juntos sempre!!!



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